Saudações, amigos da Otan. Nós somos a Anonymous
Em uma recente publicação, vocês destacaram o
Anonymous como ameaça ao ‘governo e ao povo’. Vocês também alegaram que sigilo
é ‘um mal necessário’ e que transparência nem sempre é o caminho certo a
seguir.
O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo
e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da
‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às
vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses
entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer. A única
ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os
governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com
as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento.
Seu próprio relatório cita um perfeito exemplo
disso, o ataque do Anonymous à HBGary (empresa de tecnologia ligada ao
governo norte-americano). Se a HBGary estava agindo em nome da segurança ou
do ganho militar é irrelevante – suas ações foram ilegais e moralmente
repreensíveis. O Anonymous não aceita que o governo e/ou os militares tenham o
direito de estar acima da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’
para justificar atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as
leis, ele deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso
nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode contar
uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e sigilo
comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as pessoas podem
julgar em quem votar se elas não estiverem completamente conscientes de quais
políticas os políticos estão realmente seguindo?
Quando um governo é eleito, ele se diz
‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as
ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações
tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que
as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo
dito e feito em seu nome – por trás de portas fechadas.
Anonymous e Wikileaks são entidades distintas.
As ações do Anonymous não tiveram ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks.
No entanto, Anonymous e WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são
uma ameaça a organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo
alguma coisa errada e tentando fugir dela.
Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de
ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar
qualquer nação.
Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo
de volta ao povo – que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em
primeiro lugar.
O governo faz a lei. Isso não dá a eles o
direito de violá-las. Se o governo não estava fazendo nada clandestinamente ou
ilegal, não haveria nada ‘embaraçoso’ sobre as revelações do WikiLeaks, nem
deveria haver um escândalo vindo da HBGary. Os escândalos resultantes não foram
um resultado das revelações do Anonymous ou do WikiLeaks, eles foram um
resultado do conteúdo dessas revelações. E a responsabilidade pelo conteúdo
deve recair somente na porta dos políticos que, como qualquer entidade
corrupta, ingenuamente acreditam que estão acima da lei e que não seriam pegos.
Muitos comentários do governo e das empresas
estão sendo dedicados a “como eles podem evitar tais vazamentos no futuro”.
Tais recomendações vão desde melhorar a segurança, até baixar os níveis de
autorização de acesso a informações; desde de penas mais duras para os
denunciantes, até a censura à imprensa.
Nossa mensagem é simples: não mintam para o povo
e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não
façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua
corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se
preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso.
Não tentem consertar suas duas caras escondendo
uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto, aberto e
democrático.
Vocês sabem que vocês não nos temem porque somos
uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque nós somos uma ameaça à
hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando nos últimos que uma
hierarquia não é necessária para se atingir o progresso – talvez o que vocês
realmente temam em nós seja a percepção de sua própria irrelevância em uma era
em que a dependência em vocês foi superada. Seu verdadeiro terror não está em
um coletivo de ativistas, mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês
defendem, pelas mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades
excedentes.
Finalmente, não cometam o erro de desafiar o
Anonymous. Não cometam o erro de acreditar que vocês podem cortar a cabeça de
uma cobra decapitada. Se você corta uma cabeça da Hidra, dez outras cabeças
irão crescer em seu lugar. Se você cortar um Anon, dez outros irão se juntar a
nós por pura raiva de vocês atropelarem que se coloca contra vocês.
Sua única chance de enfrentar o movimento que
une todos nós é aceitá-lo. Esse não é mais o seu mundo. É nosso mundo – o mundo
do povo.
Somos o Anonymous.
Somos uma legião.
Não perdoamos.
Não esquecemos.
Esperem por nós…


2 comments:
Olá, Dr. Rabelo!
O que este manifesto tem a ver com forense computacional?
Olá Anonymous! Não tem nada haver, este tópico é off-topic =)
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