A pergunta é: você consegue se imaginar hoje sem um aparelho
de telefonia celular? A resposta provavelmente será NÃO. E essa dependência dos
aparelhos celulares vai além da necessidade de comunicação das pessoas.
Os telefones celulares hoje vão muito além da função para o
qual foram concebidos. Os chamados smartphones são capazes de integrar em um
mesmo bloco de circuitos impressos, todas as funções esperadas de um telefone
celular, tais como chamadas e mensagens SMS, somados a diversos recursos
avançados, como uma câmera digital poderosa, uma filmadora HD, um receptor de
GPS, um receptor de TV digital, um MP3 player, um cliente de E-mail, jogos,
acesso a internet, e por ai vai... A capacidade de processamento de alguns
smartphones é comparável a computadores de dois ou três anos atrás!!
E para desempenhar tais tarefas, podemos contar com uma
infinidade de fabricantes e diversos modelos, cada qual com uma interface de
navegação diferente: os principais são Blackberry, Symbian, Android e iOS...
Isso sem mencionar os menos populares (Palm WebOS, maemo, MeeGo), as interfaces
proprietárias (Sony Ericson, Samsung, LG, Blackberry), as variações possíveis
para as interfaces (Symbian v60, Symbian v90, Android 1.6, Android 2.0) e o
ciclo de atualizações de cada versão de sistema operacional (iOS 3.2, iOS4.0,
Android 1.5, Android 1.6...).
Talvez você até consiga navegar nos menus de um Blackberry Curve, um Motorola Android 1.6 e
um Apple iPhone 4 para buscar o histórico de acessos web, histórico de chamadas
discadas/recebidas/não atendidas, lista de contatos... Mas quando agentes de
forças da lei realizam buscas e apreensões, Symbians, Androids e suas variações
são apenas a ponta do iceberg...
E, como se este cenário já não fosse complexo o suficiente,
alguns smartphones resolveram crescer e viraram tablets: iPad e Galaxy Tab são
os principais exemplos desta turma que apresenta forte tendência para crescimento
em 2011. Imagine o tipo de informação que poderemos encontrar nestes novos
dispositivos tablets! Adicionamos a nossa lista inicial de informações
sensíveis: arquivos de texto, planilhas eletrônicas, apresentações de slides,
livros digitais, arquivos PDF...
Observe que é complexo, praticamente impossível, traçar um
paralelo entre uma investigação desempenhada em uma estação de trabalho rodando
Windows ou Linux e outra em um dispositivo portátil: a forma de armazenamento
dos dados é diferente, o tipo da informação armazenada é diferente (para o
histórico de chamadas, por exemplo). Como realizar um dump da memória física de
um Ipad/iPhone? Onde estão os contatos neste Motorola? As mensagens de texto
deste Nokia Symbian, onde estão? Os e-mails deste Blackberry?
Como solução, poderia dissertar aqui centenas de páginas sobre
onde estas informações estão dispostas no sistema de arquivos destes
dispositivos e como recuperá-las, mas estão disponíveis no mercado livros e
outras documentações que descrevem detalhadamente estes passos para investigar
estes dispositivos portáteis. Mas este processo manual seria viável para o caso
de apreensão de um ou dois dispositivos suspeitos: imagine o trabalho de
análise da apreensão abaixo:
Já existem hoje no mercado soluções específicas para os mais
variados tipos de dispositivos: TDMA, CDMA, GSM, iDEM... As diferentes formas
de conexões de dados, muitas vezes proprietárias, também não são problemas: os
fabricantes das soluções de investigação incluem kits contendo mais de 40 cabos
específicos para cada modelo de cada fabricante, além de contar com interfaces
infrared e bluetooth para a captura de informações nos dispositivos suspeitos.
A grande vantagem em se utilizar uma solução deste tipo é a simplicidade de operação
e agilidade no tempo de resposta: uma vez capturada a informação do
dispositivo, a mesma interface utilizada para vasculhar os dados de um
dispositivo, será utilizada para todas as análises, sem necessidade do
investigador se adequar aos menus do Blackberry ou Android... E na ocasião do
lançamento de um novo modelo, basta atualizar o seu sistema de investigação
para conseguir capturar as informações do novo dispositivo.
Vou falar um pouco mais sobre as soluções disponíveis para
investigação de dispositivos portáteis em um próximo texto!
Aproveitando o ensejo, Rob Adams escreveu um artigo muito bom sobre este tema, recomendo!




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