Minha idéia é escrever aqui no blog os processos para uma análise simples em disco rígido, em uma máquina post mortem. Não vou apenas descrever os processos, mas também vou apresentar minhas experiências e dar algumas dicas sobre as etapas e o processo como um todo.
O processo ao qual me refiro foi definido pelo Departamento de Justiça Americano, em 2001*, descrito em quatro etapas para uma investigação forense digital, a saber:
A primeira etapa é talvez a mais importante: a Coleta. A Coleta consiste em, basicamente, capturar os dados a serem investigados e prepará-los (gerar HASH, por exemplo) para o Exame (etapa 02). As boas práticas (e a experiência também) recomendam duplicar o disco original para evitar acidentes (queda acidental no HD suspeito) ou possível manipulação/corrupção dos dados (acidental ou ilícita, com objetivo de adulterar o resultado da investigação). Existem várias formas para se duplicar um disco rígido, mas com certeza a mais prática é utilizando um duplicador de discos forense.
- Coleta
- Exame
- Análise
- Relatório

Este post é baseado totalmente na minha experiência utilizando o duplicador de discos SOLO-4.
Tem suporte para cópia de/para dispositivos SATA, SAS e USB (para HDs portáteis e Pen Drives). É capaz de gerar HASH em MD5, SHA1 e SHA256 das evidências.
Detalhe para as portas de Evidence / Target e Suspect / Source (clique para ampliar)
Basicamente, o que o SOLO-4 faz é duplicar discos a uma velocidade altíssima e garantindo a integridade dos dados originais.
O equipamento possui dois modos de uso: wizard (assistente), para quem é objetivo ou não quer cometer nenhum erro, e um modo advanced, que permite maior controle da operação que está sendo executada.
Interface Advanced Screen, para quem sabe o que está fazendo.
Na interface Advanced Screen, a pessoa que estiver criando a imagem do disco, pode selecionar o tipo de operação (Single Capture, Linux DD Capture), definir o Hash a ser gerado (SHA1, SHA256, MD5...) dentre outras opções.
Além do processo de copia, o SOLO-4 é capaz ainda de sanitizar discos, evitando assim possível contaminação cruzada de evidências. Para tal, ele pode ser configurado para utilizar o modo WipeOut-DOD ou o modo WipeOut-Fast:
O modo de operação WipeOut DoD oferece o método de sanitização definido pelo Departamento de Defesa Norte Americano como DOD 5220-22M. Usando os comandos DELETE e ERASE, os dados no disco rígido permanecem acessíveis para uma variedade de operações. A técnica de WipeOut DoD fornece uma solução para esse problema utilizando uma série de operações de escrita de valores nulos que remove completamente todos os dados do disco rígido. O processo é realizado em três iterações que escrevem os dados diretamente no disco conectado à unidade forense. Cada iteração realiza duas passagens de escrita em todo o disco. A primeira passagem escreve sequências de números um (hexadecimal 0xFF) no disco todo. A segunda passagem escreve sequências de zeros (hexadecimal 0x00) em toda a superfície do disco. E após a terceira iteração ocorre a passagem de escrita em toda a superfície do disco chamada código “246” (hexadecimal 0xF6), seguida pela oitava passagem que realiza a inspeção através de operações de leitura e verificação.
O modo de operação Wipeout Fast fornece um método rápido de sanitização não-DoD a todos os dados armazenados. O processo envolve a escrita de um valor hexadecimal definido pelo usuário no disco de destino conectado à unidade forense. O número de iterações para esse método também é definido pelo usuário. O processo é contínuo e sistemático, iniciando no primeiro byte do primeiro setor do disco e termina quando encontra o último byte do último setor do disco.
Detalhe da opção Wipeout settings
O pessoal do Forensic Focus também escreveu um review sobre o Solo-4. Maiores informações no site do fabricante.
*Este processo foi remodelado em 2007 e possui desde então7 etapas fundamentais.





2 comments:
Beleza de post, Luizao..
dois comentarios:
1 - pesquisas mais recentes mostram que omwipe fast (1 passagem) eh suficiente para sanitizar as midias (sobre as ssd merece outro post..)
2 - eu fiz um estudo sobre processos existentes, incluindo os de 2001 e 2007 do DoJ e esta linkado aqui: http://sseguranca.blogspot.com/2010/12/flowcharts-para-processos-de-forense.html
no mesmo link ha um flowchart do processo de coleta compilado pelo forensickb muito bom que tive a oportunidade de contribuir .
abraco!
SS
Suffert, meu amigo! O que seria deste blog sem suas constantes contribuições!! Muito obrigado, mais uma vez!
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