Dados recentes da ANATEL dão conta de mais de 194.439.250 linhas de telefones celulares ativas no Brasil. Esta informação foi contabilizada dia 30 de outubro deste ano, ultrapassando assim o numero total de habitantes que segundo o IBGE é de 193,595 milhões. A tendência é que esse numero aumente ainda mais em 2011, ainda mais com os novos smatphones cada vez mais sofisticados e com preços acessíveis.
Isso é muito bom, graças a privatização das teles, temos hoje uma facilidade de comunicação e uma mobilidade inédita! A questão que preocupa é: deste número, quantos estão nas mãos da nossa população carcerária?? Estarão as forças da lei preparadas para atuar com os devices apreendidos em ações nas penitenciarias (leia mais em http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/diario-gaucho/19,0,3116994,Apreensoes-de-celulares-em-cadeias-alarmam-Justica.html) ou apreensões rotineiras?
Hoje no Brasil podemos citar quatro fortes fornecedores de produtos para perícia em telefones celulares, sendo duas empresas dedicadas (MSAB e Cellebrite) e dois grandes players de computação forense com dispositivos para forense de celulares (Guidance Software e AccessData):
- · XRY / XACT (MSAB)
- · UFED (Cellebrite)
- · Neutrino (Guidance Software)
- · MPE+ (AccessData)
Basicamente, estas soluções são compostas por um conjunto de cabos para conexão aos diferentes modelos de aparelhos celular e um software para análise das informações capturadas nos devices. Algumas soluções acompanham também interface bluetooth e/ou infra-red, ampliando ainda mais a gama de aparelhos atendidos, sem necessidade de um cabo de conexão. De uma forma geral, depois de estabelecida uma comunicação com o aparelho celular (via cabo ou via bluetooth/infrared), faz-se um “dump” das informações contidas nos aparelhos celulares e então se analisam os dados capturados em uma interface única. O que diferencia uma solução da outra é:
- · Capacidades para interagir com diferentes modelos de telefones celulares? Algumas soluções simplesmente não funcionam com aparelhos iDEN, utilizados por operadoras de rádio, como a Nextel.
- · Funcionalidades para aquisição de informações (Por exemplo, neste “dump” de memória realizado, o produto consegue capturar informações excluídas do telefone celular - dump de memória física? Outro exemplo: é necessário fazer o dump de toda memória ou é possível capturar apenas algumas informações pontuais, como contatos e lista de chamadas – imagine o tempo necessário para fazer um dump de um iPhone de 32GB?)
A grande vantagem de se trabalhar com estes produtos é a capacidade de, em uma única interface, poder se analisar diversos modelos de telefones celulares e smartphones. Imagine a quantidade de telefones disponíveis no mercado hoje. Cada um tem uma interface própria e uma maneira diferente de se navegar pelos menus e opções. Aprender a operar todos estes aparelhos é uma tarefa árdua. E desnecessária. Utilizando um destes produtos, o investigador sempre saberá onde estão as relações das chamadas recentes, chamadas não atendidas, SMSs/E-Mails enviados e recebidos, histórico de navegação na WEB (se houver).
Irei escrever aqui neste blog informações sobre cada um destes produtos, o mais detalhado possível. Mas já adianto que será complicado definir qual o melhor ou pior produto. De uma forma geral, são todos bons e cumprem o que promete. Se perícia em telefones celulares é uma tarefa crítica para você, recomendo ter pelo menos duas destas soluções em seu laboratório forense, pois uma solução completa a outra, uma solução cobre a “sombra” da outra.
Recentemente, a viaForensics publicou um white paper muito bom comparando várias outras soluções para forense para celulares, especificamente para investigações em iPhone: http://viaforensics.com/education/white-papers/iphone-forensics/

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