Infelizmente, o povo brasileiro não é conhecido pela sua boa memória ou grande interesse por politica, haja visto o resultado das últimas eleições... Mas o objetivo deste blog não é discutir política. Então o que tem haver a operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas e este blog? O uso de criptografia para ocultação de informações sensíveis. Explico melhor: deflagrada em julho de 2008, a operação Satiagraha apreendeu 6 HDs no apartamento do banqueiro, num total de 2,08TB de dados, segundo reportagem do G1.
Segundo a reportagem, "O sistema de criptografia usado é um dos mais sofisticados do mercado, chamado AES 256 bits. Uma tecnologia inferior a essa, a de 128 bits, permite uma quantidade de combinações de senhas que tem como grandeza o número 3 seguido de 38 zeros."
O sistema utilizado para criptografar os discos? "a assessoria de Daniel Dantas informou que "os HDs foram criptografados a partir de dois programas disponíveis na internet. O primeiro, líder de mercado, chamado PGP, pode ser encontrado na página www.pgp.com. O outro, Truecrypt, gratuito, está hospedado no endereço www.truecrypt.org"."
A ajuda aos EUA só foi pedida no início de 2009, após os peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) terem falhado nos esforços de decodificar as senhas dos HDs. O governo não tem nenhum instrumento jurídico para obrigar nem o fabricante americano do sistema de criptografia nem Dantas a ceder os códigos de acesso. Em lugares como o Reino Unido, Daniel Dantas poderia ser obrigado a revelar a chave para acesso aos arquivos...Após um ano de tentativas frustradas, O FBI não conseguiu quebrar o sistema de criptografia dos discos rígidos, e em abril a polícia federal norte-americana devolveu os equipamentos ao Brasil. O INC e o FBI empregaram a mesma tecnologia para tentar quebrar a senha: "dicionário". Os peritos do INC usaram essa técnica por cinco meses até desistirem, em dezembro de 2008, quando o juiz responsável pelo caso, Fausto De Sanctis, autorizou o envio dos discos para os Estados Unidos.
Os equipamentos continuarão sob a guarda da PF. Os peritos do INC esperam que novos dados da investigação ou que uma nova tecnologia os ajudem a quebrar as chaves de segurança.
Meus comentários: Enquanto o INC aguarda, a Digital Intelligence lançou no mercado de computação forense uma estação dedicada para a tarefa de quebra de senhas, chamado FRED SC (meu amigo Suffert já escreveu um excelente texto sobre o FRED SC). Sabemos que a técnica empregada (dictionary attack) pode ser eficiente em alguns casos, mas em outros nem tanto... Brute force me parece um trabalho que será concluído pelas gerações futuras, visto a quantidade de combinações possíveis geradas por um algoritimo de 256 bits... Vamos ver se alguma próxima edição do FRED SC dá conta do recado...
Links relevantes:
Quer entender como AES128 bits funciona?
UPDATE 07/07:
Um artigo interessante, focando a questão do software livre TrueCrypt no tema deste post, pode ser lido aqui.
UPDATE 07/07:
Como deveria ser a abordagem deste tema:
UPDATE 07/07:
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